quarta-feira, 4 de maio de 2011

Depoimento das Vítimas

Com o intuito de conhecer um pouco mais da realidade do Bullying, buscamos alguns adolescentes que já sofreram com esses ataques e realizamos uma rápida entrevista para entender como isso influencia numa mundaça de comportamento das pessoas.

A adolescente I.M.R.S, 14 anos, nos revelou que passou por muitas situações constrangedoras na sua antiga escola e que precisou estudar mais longe de sua casa pois as brincadeiras se transformaram em ameaças graves. A situação dela ocorria devido a sua religião não permitir o uso de calça para mulheres. Pode ser um motivo bobo, mas, para os adolescentes se transforma num excelente motivo para piadas. Ela nos contou que não suportava mais as brincadeiras e que prestou queixa na diretoria da escola, o que propiciou um aumento das brincadeiras, pois os agressores se sentiram prejudicados e ameaçados. A situação ficou mais grave, pois algumas meninas esperavam diariamente pela entrevistada na saída da escola e começaram a ameaçá-la, o que levou a mãe da adolescente procurar a polícia para formalizar uma queixa e buscar um colégio longe de sua casa para a garota tentar começar uma nova vida escolar. Poderíamos citar as consequências psicológicas e sociais que essa garota passou, mas o que mais nos surpreendeu foi o fato de que a polícia não agiu em nenhum momento, ao menos para procurar a escola e relatar a queixa da mãe do aluno. Diante dessa situação entendemos que, para evitar que situações mais graves aconteçam aos envolvidos, se faz necessário um agir mais efetivo da polícia e da justiça em situações como essas.

Entrevistamos um ex-aluno de escola pública de Salvador que nos revelou algumas situações de Bullying que sofreu quando adolescente M.R.C., atualmente com 23 anos, sofreu muitas perseguições na escola por ser um aluno muito querido pelos professores e que tirava sempre boas notas. Ele relatou que alguns colegas não tinham interesse em estudar e que quando se aproximava o período de provas iniciava o período de pirraças e ameaças. Os demais alunos o chamavam de Nerd, CDF entre outros adjetivos e insinuavam que o aluno se aproximava dos professores para tirar notas boas. Houve até um caso que disseram que ele havia se envolvido com um dos professores. o que levou o aluno a ficar deprimido e perder o estímulo de freqüentar a escola. Assim como a outra entrevistada, ele também buscou dar queixa contra alguns colegas que o ameaçavam constantemente. Porém, seus pais se sentiram mais ameaçados ainda quando descobriram que esses alunos eram infratores e que já tinham passagem na polícia por roubo e agressões a vizinhos. O entrevistado revelou que teve que suportar todas as brincadeiras e ameaças até o fim do ano letivo e que, quando seus pais buscaram a coordenação para solicitar sua transferência, descobriram que esses alunos agressores e outros que tinham mal comportamento seriam transferidos de turno.

Essa situação do entrevistado nos revela que a sociedade se sente ameaçada em buscar uma solução pois há o medo de sofrer represálias. E podemos refletir um pouco no final da entrevista com o que Bauman (1998) diz em um dos seus textos, foi mais fácil para a escola retirar aqueles alunos considerados perigosos do que buscar uma medida sócio-educativa para tentar entender a causa dessas constantes agressões.

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