Atualmente, o bullying tem sido muito divulgado como prática de desrespeito, humilhação, comportamentos agressivos e violentos no âmbito da escola, todavia, essa prática não é recente. Costumava ser vista pela comunidade escolar como brincadeiras infantis próprias à idade da infância e adolescência. Acreditava-se em ser algo passageiro até atingir a fase adulta. Entretanto, as brincadeiras pueris foram tomando outros rumos, tornando-se extremamente sérias. Pode-se afirmar que o bullying passou da esfera da escola, pois tem causado problemas sociais graves como suicídios e, até mesmo, massacres.
A prática do bullying está atrelada a intolerância e o preconceito com relação a indivíduos e grupos específicos no que se refere ao seu modo de ser, estilo de vida e às suas crenças e convicções. A vítima de bullying é importunada e tida como alvo de diversas ações, que é inferiorizada pelo fato de não ser convencional ao meio que pertence e não por fazer algo ofensivo. Com isso, uma das principais consequências do vitimado é o isolamento social, recusa-se ter qualquer tipo de contato com o público devido a esse se sentir ameaçado por ser um indivíduo diferente. Já o que pratica o bullying se identifica aquele como o detentor de poder, prestígio e popularidade entre os colegas, além de ser considerado o corajoso por praticar algo que é desrespeitoso e inaceitável. Aos que não sofrem e não praticam, estão na posição de espectadores e testemunhas possuem uma postura omissa referente às vítimas, sentem receosos em apontar os praticantes ou ‘os falsos poderosos’.
O bullying é um problema de ordem social em que a intolerância ao outro está inserida. Essa forma de pensar e agir vinda dos “bulliers”, os que praticam o bullying, de discriminar os que são fora do peso ideal, possuem traços étnicos diversos e não acompanham os padrões da moda está vinculada ao mal-estar da pós-modernidade.
No mundo pós-moderno de estilos e padrões de vida livremente concorrentes, há ainda um severo teste de pureza que se requer seja transposto por todo aquele que solicite ser ali admitido: tem de mostrar-se capaz de ser seduzido pela infinita possibilidade e constante renovação promovida pelo mercado consumidor, de se regozijar com a sorte de vestir e despir identidades, de passar a vida na caça interminável de cada vez mais intensas sensações e cada vez mais inebriante experiência. Nem todos podem passar nessa prova. Aqueles que não podem são a “sujeira” da pureza pós-moderna. (BAUMAN, 1998, P.23)
Essa constatação de Bauman (1998) do mundo pós-moderno infere que os sujeitos crescem e são educados com essa visão rotulada de que as diferenças precisam ser extintas da sociedade e deve seguir o que é convencional aos olhos dessa. Hoje a integração dos jovens na sociedade em que vivem está ligada a condição econômica dos seus responsáveis. Consequentemente, eles estão se formando grandes consumistas e valorizando as aparências das pessoas e não a sua essência.
A questão do bullying é também um problema familiar, que precisa ser reparado e podado pelos pais, não se podem culpar só os membros que regem a escola por não importar e solucionar imediatamente a situação. A família tem estado muito ausente no que tange a esfera educacional e responsabiliza a escola pelos atos indisciplinados e agressivos dos alunos. Como está expresso no artigo 18º do Estatuto da Criança e do Adolescente “é dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”. A família e a escola são duas instituições que devem atuar simultaneamente na vida dos jovens, disciplinando e formando cidadãos, não se podem admitir situações de bullying nesses ambientes.
Um caminho para que os pais estejam mais perto dos filhos acompanhando o seu desenvolvimento escolar e disciplinar é o projeto que as escolas municipais de Salvador têm feito: A Família na Escola. Este projeto motiva a parceria da família com a escola onde os familiares passam um tempo com o aluno auxiliando juntamente com o professor a produzir atividades de integração e como lidar com as diferenças. Dessa forma, é o início de combater com a prática do bullying que vem quebrando a socialização.
Além do projeto da família na escola, há também o da Justiça na Escola promovido pelo Tribunal de Justiça da Bahia com o objetivo de aproximar o poder judiciário à escola e às famílias no combate da prática do bullying com o lançamento da cartilha e a presença de profissionais da justiça ministrando palestras sobre o assunto.
Portanto, até um tempo atrás o bullying não era visto como um problema social, mas como uma prática individual de falta de disciplina escolar, só agora o bullying começou a ter importância para a sociedade, surgindo assim meios necessários de combates no âmbito escolar. Nesse caso, não só a escola como a família têm de surgir como esferas disciplinadoras, podendo impor sanções adequadas ao caso. O que importa é motivar a socialização, coibir os ofensores, respeitar as diferenças e a dignidade humana. Para sanar o problema é essencial o envolvimento de toda a sociedade, mesmo que se inicie no âmbito da escola, é importante, também, a atuação do Conselho Tutelar, Ministério Público e Poder Judiciário quando os meios preventivos das duas esferas acima não tiverem sustentação em combater o bullying.
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